<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Good To Great: Good To Great em Português]]></title><description><![CDATA[Liderança & gestão]]></description><link>https://www.goodtogreat.io/s/good-to-great-em-portugues</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!WucC!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcc364342-6ca8-48c7-be49-a599ef7410e7_1280x1280.png</url><title>Good To Great: Good To Great em Português</title><link>https://www.goodtogreat.io/s/good-to-great-em-portugues</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Thu, 21 May 2026 00:41:06 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://www.goodtogreat.io/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Fernanda Weiden]]></copyright><language><![CDATA[en]]></language><webMaster><![CDATA[nandaweiden@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[nandaweiden@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Fernanda Weiden]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Fernanda Weiden]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[nandaweiden@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[nandaweiden@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Fernanda Weiden]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Eu não quero ser como o Google]]></title><description><![CDATA[Minha vis&#227;o sobre o estilo de gest&#227;o do Google, baseada na minha experi&#234;ncia pessoal]]></description><link>https://www.goodtogreat.io/p/eu-nao-quero-ser-como-o-google</link><guid isPermaLink="false">https://www.goodtogreat.io/p/eu-nao-quero-ser-como-o-google</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Weiden]]></dc:creator><pubDate>Sun, 14 Jul 2024 20:45:30 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5c578550-edf4-48c0-a0db-f750dc1deab1_2048x1185.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Eu interagi com muitos fundadores de startups nos &#250;ltimos dois anos. Uma coisa que ou&#231;o frequentemente &#233; que eles aspiram ser como o Google. Normalmente, n&#227;o discordo de bate pronto porque, afinal de contas, passei mais de 6 anos no Google e me tornei gestora l&#225;. Provavelmente, a maioria ou todos eles pensam que, ao dizer algo assim para mim, est&#227;o de alguma forma dizendo "queremos voc&#234;".</p><p>Acho que o Google fez contribui&#231;&#245;es imensas para a cultura de gest&#227;o em empresas de tecnologia. Mas o Google, como qualquer empresa, tamb&#233;m poderia ter feito algumas coisas melhor. Pelo menos essa foi a minha impress&#227;o do tempo que passei l&#225;, e queria compartilhar alguns desses insights.</p><p>O Google foi o primeiro empregador que tive que dava grande import&#226;ncia aos benef&#237;cios n&#227;o salariais oferecidos aos seus funcion&#225;rios. Voc&#234; pode imaginar: massagens no local, tr&#234;s refei&#231;&#245;es preparadas por chefs fornecidas gratuitamente, mesas de ping-pong e sinuca espalhadas pelo escrit&#243;rio. O Google tamb&#233;m tinha lavanderias em alguns escrit&#243;rios, academia gratuita, presentes de Natal e muitos outros benef&#237;cios. Em termos de emprego, era praticamente o para&#237;so.</p><p>Na minha opini&#227;o e experi&#234;ncia, o Google foi pioneiro em tratar seus funcion&#225;rios em geral melhor do que jamais tinham sido tratados antes. Isso n&#227;o s&#243; fazia as pessoas quererem trabalhar l&#225; e permanecer l&#225;, mas tamb&#233;m falarem muito bem do Google como empregador. Era incr&#237;vel para o branding do Google como empregador.</p><p>Tratar bem as pessoas ia al&#233;m dos benef&#237;cios. Uma vez que voc&#234; ingressava no Google, voc&#234; tamb&#233;m se sentia muito bem cuidado, o Google como empresa parecia realmente considerar seus funcion&#225;rios como seu ativo mais importante. Eles tiravam todos os obst&#225;culos do seu caminho para garantir que voc&#234; (a pessoa super inteligente que &#8211; se fosse como eu &#8211; sentia que n&#227;o merecia, mas ainda assim foi contratada pelo Google) pudesse se concentrar em fazer seu melhor trabalho.</p><p>Os Googlers tinham acesso ao melhor treinamento dispon&#237;vel no mercado para se desenvolverem: intelig&#234;ncia emocional, MBTI, lideran&#231;a situacional, outros treinamentos de lideran&#231;a adaptados &#224; empresa. Liste a&#237;, eu fiz todos. O Google foi, at&#233; 2012, a empresa e o trabalho onde mais cresci em minhas habilidades, tanto tecnicamente como SRE quanto nas chamadas habilidades interpessoais, ou &#8220;soft skills&#8221;. Tamb&#233;m aprendi as melhores ferramentas de gest&#227;o para ajudar os membros da minha equipe a entregarem seu melhor trabalho. Sinto que no Google eu tamb&#233;m cresci como ser humano.</p><p>O Google tamb&#233;m tinha um conjunto super estruturado de ferramentas de gest&#227;o. Tinha feedback 360 a cada 6 meses, os engenheiros deveriam avaliar seus gerentes &#8212; isso foi novidade para mim! Faz&#237;amos calibra&#231;&#245;es a cada 3 meses. Era muito trabalho adicional, mas esse era o custo de ser uma empresa t&#227;o grande com pessoas de alta performance, certo?</p><p>O Google foi definitivamente um pioneiro, mas a ind&#250;stria continuou evoluindo para diferentes modelos, e alguns deles eram mais justos e mais de fato orientados para as pessoas do que o Google que eu experimentei.</p><p>Foi no Google, em 2008, que aprendi que poderia ser l&#237;der t&#233;cnico de um projeto e ter um colega de equipe, liderado por mim em tal projeto, que ganhava 30% mais dinheiro do que eu. Assim &#233; a vida. Isso foi corrigido no ciclo de avalia&#231;&#227;o de desempenho subsequente, quando fui promovida e recebi um aumento absurdo de mais de 40%.</p><p>Foi tamb&#233;m no Google que aprendi que, como mulher na tecnologia, eu precisava aprender sobre o jogo que estava jogando porque mesmo o processo mais bem elaborado, criado com as melhores inten&#231;&#245;es, pode perpetuar discrimina&#231;&#227;o. Os comit&#234;s de promo&#231;&#227;o, na &#233;poca em que eu estava no Google, n&#227;o serviam bem &#224;s mulheres e pessoas que n&#227;o gabavam muito de seu pr&#243;prio trabalho. O RH at&#233; ajudava a organizar workshops para mulheres em Zurique para ajud&#225;-las a escrever autoavalia&#231;&#245;es com um tom mais enf&#225;tico sobre suas pr&#243;prias realiza&#231;&#245;es, porque palavras como "ajudei" ou verbos no ger&#250;ndio n&#227;o ajudavam as mulheres a obter reconhecimento nos comit&#234;s de promo&#231;&#227;o: &#233; sobre o que voc&#234; fez, n&#227;o sobre o que est&#225; fazendo. N&#227;o s&#243; participei desses workshops, como ministrei alguns deles.</p><p>Os comit&#234;s de promo&#231;&#227;o foram projetados para serem mais justos por n&#227;o terem contexto sobre as pessoas sendo discutidas. Eles n&#227;o deveriam ter contexto, pelo menos. Mas o que acontecia de fato era que quem escrevesse as melhores hist&#243;rias conseguia os melhores resultados, n&#227;o necessariamente aqueles que faziam o melhor trabalho. Minorias conhecidas por n&#227;o reivindicarem cr&#233;ditos pelo que faziam n&#227;o tinham um defensor na sala onde as decis&#245;es estavam sendo tomadas.</p><p>O Google tamb&#233;m me ensinou as consequ&#234;ncias de insistir que grandes engenheiros se tornassem gerentes de pessoas. Tive um bom gerente e alguns terr&#237;veis durante meu tempo l&#225;. Eu virei gestora para isolar meus colegas das maluquices gerenciais e ent&#227;o pudessem fazer seu melhor trabalho. N&#227;o &#233; uma grande motiva&#231;&#227;o, eu sei. N&#227;o me arrependo da escolha que fiz e ainda acho, muitos anos depois, que meu trabalho ainda tem um pouco disso na ess&#234;ncia.</p><p>Nas calibra&#231;&#245;es, havia algumas regras arbitr&#225;rias que n&#227;o faziam sentido para mim na &#233;poca: se um engenheiro mudasse de equipe, ele ca&#237;a um n&#237;vel em sua avali&#231;&#227;o anterior de desempenho. Essa era a minha menos favorita.</p><p>Muitos engenheiros se voltaram para a gest&#227;o como carreira, pressionados por outros gerentes para que a empresa pudesse escalar. Muitos deles se tornaram gerentes terr&#237;veis sem muitas habilidades interpessoais.</p><p>Eu n&#227;o gostava do &#8220;jeito do Google&#8221; de gerenciar as carreiras de pessoas. Acho que os gerentes desempenham um papel importante contextualizando o trabalho de uma pessoa engenheira quando ela n&#227;o consegue fazer isso bem sozinha. Acho que meu papel como gerente &#233; perguntar ao gerente ao meu lado por que diabos ele est&#225; classificando o desempenho de uma engenheira como &#8220;excede as expectativas&#8221; por dois anos e ainda assim n&#227;o a est&#225; promovendo e responsabilizar o gerente (e o indiv&#237;duo, se for o caso) para que essa promo&#231;&#227;o aconte&#231;a.</p><p>Demorei muitos anos para perceber, mas o Google que experimentei tinha uma arrog&#226;ncia de engenharia que eu n&#227;o apreciava nem um pouco e, como consequ&#234;ncia, nunca senti que me encaixava l&#225;.</p><p>Minha carreira gerencial no Google n&#227;o estava indo a lugar nenhum. Tinha &#243;timos mentores entre meus pares, mas minha linha de gest&#227;o era terr&#237;vel. Meu gerente direto perdeu todas exceto uma mulher de sua equipe dentro de 6 meses ap&#243;s minha sa&#237;da, e ainda assim, n&#227;o deve sequer ter sido questionado. Se questionaram, provavelmente julgaram n&#227;o importante, j&#225; que ele foi promovido a Diretor logo em seguida da nossa sa&#237;da da empreasa.</p><p>Um ciclo eu recebia feedback de que estava focando demais em gest&#227;o, n&#227;o o suficiente em resultado t&#233;cnico, no ciclo seguinte eu recebia o oposto: t&#233;cnica demais, n&#227;o o suficiente em gest&#227;o.</p><p>Reuni&#245;es de Revis&#227;o de Design eram como pedir autoriza&#231;&#227;o para gerentes e engenheiros seniores para fazer seu trabalho. Essas reuni&#245;es eram extremamente agressivas, e eu sentia que nunca gostaria de apresentar l&#225;. Parecia que, se voc&#234; n&#227;o soubesse todas as respostas para todas as perguntas aleat&#243;rias que as pessoas fariam, voltaria &#224; estaca zero e seu projeto n&#227;o aconteceria. Pelo menos n&#227;o agora, n&#227;o at&#233; que voc&#234; obtesse esse selo de aprova&#231;&#227;o.</p><p>Tudo isso foi acumulando e me frustrando, e junto com as desculpas eternas sobre me promover, foi a principal raz&#227;o pela qual decidi come&#231;ar a procurar um novo emprego.</p><p>Uma vez que consegui um emprego e decidi sair, me ofereceram muito dinheiro para ficar. Fiz as contas&#8230;Eu tinha certeza de que nenhum dinheiro no mundo me faria feliz continuando na mesma situa&#231;&#227;o em que estava. Recebi duas ofertas de emprego e tive que escolher uma. Uma era na Canonical e a outra no Facebook. Aceitei o emprego no Facebook e foi, de longe, a melhor escolha de carreira e de vida que fiz.</p><p>Sinto que todas as oportunidades no Google estavam empacotadas para presente e tinham nomes de quem seria presenteado. Mas meu nome n&#227;o estava em nenhum desses pacotes. Se eu tivesse que aprender coisas para merecer oportunidades, meu gerente n&#227;o ajudava em nada, nem meu diretor.</p><p>Voltando ao t&#237;tulo que escolhi, quando as pessoas me dizem que querem construir o Google do Brasil, eu pauso. Eu n&#227;o quero. Aprendi coisas no Google, mas de uma perspectiva puramente gerencial, tenho certeza de que h&#225; muitas maneiras de fazer as coisas muito melhor do que eram l&#225;. Quero criar formas novas e melhores de fazer engenharia em ambientes de alta performance, e n&#227;o copiar um sistema do qual conhe&#231;o bem os defeitos.<br><br>Cr&#233;dito da foto: Anthony Quintano from Mount Laurel, United States, <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0">CC BY 2.0</a>, via Wikimedia Commons</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Existe saída pro caos?]]></title><description><![CDATA[Como priorizar e sair do modo reativo de trabalho em times de engenharia]]></description><link>https://www.goodtogreat.io/p/existe-saida-pro-caos</link><guid isPermaLink="false">https://www.goodtogreat.io/p/existe-saida-pro-caos</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Weiden]]></dc:creator><pubDate>Tue, 26 Sep 2023 12:37:26 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/25461827-e1a7-4981-87c4-443b32616dd0_3264x2448.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Uma das reclama&#231;&#245;es mais frequentes que eu escuto de gestores de times de engenharia fala um pouco da falta de controle sobre o que acontece no dia a dia. De como existe muito d&#233;bito t&#233;cnico e pouco tempo para resolver, e tamb&#233;m como o dia a dia atropela qualquer planejamento que tenham feito para o time. Ser&#225; que tem solu&#231;&#227;o?</p><p>Existem muitos frameworks para lidar com essa prioriza&#231;&#227;o quando se trata de produto, por&#233;m para quest&#245;es n&#227;o funcionais de engenharia, a n&#227;o ser que vire uma crise, os times tendem a sofrer em sil&#234;ncio e aceitar que a realidade se resume a responder chamados, e fazer as coisas aleat&#243;rias que s&#227;o demandadas no dia a dia. Com isso, acumula-se d&#233;bito t&#233;cnico, insatisfa&#231;&#227;o e o risco de burn out no time cresce.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.goodtogreat.io/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading Good To Great! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>E como sair desse caos?</p><ol><li><p>Trate interrup&#231;&#245;es como parte do trabalho.</p></li><li><p>Foque o resto do tempo em poucas coisas importantes.</p></li><li><p>Aprenda a dizer n&#227;o.</p></li></ol><h3>Tratando interrup&#231;&#245;es como parte do trabalho</h3><p>Quando eu comecei a trabalhar no Facebook, eu tinha um time de exatamente 3 pessoas para dar suporte a infraestrutura de caching da empresa. O time passava o tempo inteiro apagando inc&#234;ndio. Um dos engenheiros do time, que n&#227;o sabia dizer n&#227;o, trabalhava dia e noite resolvendo problemas aleat&#243;rios de produ&#231;&#227;o, mas al&#233;m dele, todo mundo passava uma boa parte do seu tempo sendo interrompido em seus projetos para ajudar a resolver problemas aleat&#243;rios.</p><p>O que eu fiz? Eu estabeleci uma escala de suporte no time. Cada semana ter&#237;amos uma pessoa prestando suporte, full time, e as duas outras pessoas engenheiras poderiam ent&#227;o focar nos seus projetos.</p><p>&#8220;Ah Fernanda, mas nem todo mundo &#233; capaz de resolver qualquer problema aleat&#243;rio que chega no time!&#8221; &#8212; tenho certeza que voc&#234; est&#225; pensando isso. Sim, isso &#233; verdade, mas somente temporariamente. </p><p>Depois de uns 3 meses, todas as pessoas do time ser&#227;o capazes de responder 99% das requisi&#231;&#245;es sem precisar de ajuda, desde que todos sejam respons&#225;veis por ajudar a pessoa em escala de suporte a resolver os problemas (e n&#227;o mais resolver as coisas elas mesmas, como antes).</p><p>Quando o time vai planejar, a pessoa gestora do time precisa ent&#227;o contar que 1 pessoa full time vai sempre estar resolvendo interrup&#231;&#245;es, para deixar o resto do time trabalhar nos projetos de longo prazo. O que nos leva ao pr&#243;ximo &#237;tem&#8230;</p><h3>Focando no que &#233; importante</h3><p>Focar em projetos de longo prazo &#233; uma maravilha, todos concordar&#227;o. Mas o que nem todo mundo concorda &#233; como selecionar o que &#233; mais importante.</p><p>Eu tenho um m&#233;todo bem simples para equipes que tem muita carga de interrup&#231;&#245;es e d&#233;bito t&#233;cnico: um dos projetos mais priorit&#225;rios do time deve ser o projeto que reduza tempo dedicado a tarefas repetitivas.</p><p>Voltando ao meu exemplo l&#225; do Facebook, existiam alguns fatores que criavam esses &#8220;inc&#234;ndios&#8221; que o time passava muito do seu tempo resolvendo: a) novas vers&#245;es sendo lan&#231;adas em produ&#231;&#227;o, e como esse processo n&#227;o tinha controle nenhum, haviam MUITAS vers&#245;es em produ&#231;&#227;o; b) altera&#231;&#227;o de configura&#231;&#227;o em produ&#231;&#227;o quebrava o ambiente; e c) shards muito quente causavam instabilidade no ambiente.</p><p>O que n&#243;s fizemos? Investimos em tr&#234;s coisas. Adivinhem? Automa&#231;&#227;o de deployment para que fossem feitos de forma gradual (e f&#225;cil). Melhoria da cobertura de teste do script que criava e distribu&#237;a configura&#231;&#245;es em produ&#231;&#227;o, e cria&#231;&#227;o de mecanismos para fazer &#8220;split&#8221; de &#8220;shards&#8221; que eram detectados como ficando muito quentes.</p><p>Seis meses depois o time era irreconhec&#237;vel. T&#237;nhamos conseguido contratar mais 3 pessoas, os projetos j&#225; estavam dando muito retorno e diminu&#237;ram muito a quantidade de incidentes que t&#237;nhamos, e tamb&#233;m a quantidade de tickets.</p><h3>Dizendo n&#227;o</h3><p>Tendo nossas prioridades claras fez com que a conversa sobre pedidos aleat&#243;rios diminu&#237;sse, porque n&#227;o diz&#237;amos simplesmente n&#227;o, n&#243;s mostr&#225;vamos o que est&#225;vamos fazendo e porque, e na grande maioria das vezes, era &#243;bvio o que estarmos priorizando isso versus outras coisas. Algumas vezes obviamente existiam outras urg&#234;ncias e adapt&#225;vamos o que o time estava fazendo.</p><p>O time foi de lugar de &#8220;burn out&#8221; para um dos times onde as pessoas queriam trabalhar. Faz&#237;amos eventos sociais juntos, nos divert&#237;amos muito, e o time de Production Engineering passou a brigar muito menos com o time de Software Engineering. </p><p>Cacheville, como cham&#225;vamos a organiza&#231;&#227;o, progrediu muito com rela&#231;&#227;o a excel&#234;ncia operacional, empoderamento do time, e tamb&#233;m satisfa&#231;&#227;o no trabalho. Aprendi muito tecnicamente, e tamb&#233;m como gestora. </p><p>Confesso que foi um dos momentos &#8220;de ouro&#8221; da minha carreira, e sempre me lembrarei com carinho.</p><p>Muitas vezes n&#243;s gestores pegamos a realidade e aceitamos ela como fato da vida, sem lembrar que &#233; nossa responsabilidade mudar essa realidade, e sair do caos. Sair do caos &#233; poss&#237;vel, &#233; gratificante, e &#233; parte do que faz gest&#227;o t&#227;o significativa nas organiza&#231;&#245;es: &#233; o nosso trabalho.</p><p></p><p></p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.goodtogreat.io/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading Good To Great! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Hora de fechar a fábrica de software]]></title><description><![CDATA[Mais do que bra&#231;o, engenharia precisa ser vista como c&#233;rebro das empresas]]></description><link>https://www.goodtogreat.io/p/hora-de-fechar-a-fabrica-de-software</link><guid isPermaLink="false">https://www.goodtogreat.io/p/hora-de-fechar-a-fabrica-de-software</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Weiden]]></dc:creator><pubDate>Fri, 06 Aug 2021 11:24:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!WucC!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcc364342-6ca8-48c7-be49-a599ef7410e7_1280x1280.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>No Vale do Sil&#237;cio, pessoas engenheiras s&#227;o o patrim&#244;nio mais valioso das empresas. Startups e empresas j&#225; estabelecidas brigam por talento, porque entendem que ter talento e experi&#234;ncia em seus quadros faz toda a diferen&#231;a. As pessoas do time de engenharia s&#227;o tratadas como patrim&#244;nio mesmo: de sal&#225;rios fartos a benef&#237;cios cada vez mais agressivos, vale de tudo para atrair e reter talento. Uma vez dentro das empresas, s&#227;o oferecidos treinamentos de &#8220;soft&#8221; e &#8220;hard skills&#8221;, tech talks s&#227;o recorrentes, e a disponibilidade de talento de alto n&#237;vel faz com que o aprendizado n&#227;o pare, e com isso, a empresa continue inovando e criando solu&#231;&#245;es cada vez melhores.</p><p>Isso acontece porque as engenheiras s&#227;o respons&#225;veis por criar as solu&#231;&#245;es que fazem com que essas empresas ganhem usu&#225;rios, valor e o mundo. Os times de produto criam teses de desafios a serem solucionados, e o time de engenharia ent&#227;o prop&#245;e as solu&#231;&#245;es, valida, quantifica resultados e ajuda a provar essas teses ou desqualific&#225;-las.</p><p>Em algumas scale ups, por&#233;m, esse nem sempre &#233; o caso. Os problemas e as solu&#231;&#245;es j&#225; chegam definidos para as equipes de engenharia, e essas ent&#227;o precisam tratar da implementa&#231;&#227;o com pouqu&#237;ssimo espa&#231;o para contribuir com o direcionamento dessas implementa&#231;&#245;es, e com prioriza&#231;&#245;es de projetos que n&#227;o impactem o cliente diretamente (eu argumentaria que sempre impacta, mas isso &#233; outro assunto), como projetos que aumente a efici&#234;ncia do time de engenharia em si.</p><p>Na minha opini&#227;o, esse posicionamento deixa muito potencial n&#227;o realizado para as empresas, e tamb&#233;m causam um grande problema de reten&#231;&#227;o de talento. </p><h2>Potencial n&#227;o realizado</h2><p>Pessoas engenheiras s&#227;o treinadas, formalmente ou n&#227;o, para pensar desafios de forma l&#243;gica, usar dados para provar teses e tamb&#233;m usar metologias que sejam poss&#237;veis de reproduzir para quantificar o impacto das solu&#231;&#245;es que criam.</p><p>Al&#233;m de pensar na solu&#231;&#227;o que &#233; necess&#225;ria hoje, a equipe de engenharia sabe e deve investir tempo em solu&#231;&#245;es escal&#225;veis, que n&#227;o s&#243; v&#227;o atender a empresa hoje, mas que v&#227;o permitir que a empresa continue crescendo 2, 3, 5 ou 10 vezes no futuro.</p><p>Quando essas equipes n&#227;o tem voz e n&#227;o participam da concep&#231;&#227;o de produtos, provavelmente esses &#237;tens n&#227;o s&#227;o levados em considera&#231;&#227;o, ou n&#227;o ganham a prioridade necess&#225;ria. Isso na pr&#225;tica causa problemas de estabilidade nos produtos e tamb&#233;m ac&#250;mulo do chamado d&#233;bito t&#233;cnico, que fazendo uma met&#225;fora, s&#227;o puxadinhos para acomodar necessidades de curto prazo, sem considerar o projeto arquitet&#244;nico e de engenharia necess&#225;rio para que &#8220;a casa&#8221; fique de p&#233; no longo prazo.</p><p>Al&#233;m disso, para a empresa, &#233; um investimento que n&#227;o faz sentido. &#201; comum um sentimento de que estamos &#8220;gastando demais com engenharia&#8221; para o retorno realizado. Isso se d&#225; porque o time &#233; tratado como bra&#231;o, e n&#227;o como c&#233;rebro, e obviamente sem pensar na escalabilidade e longo prazo, a produtividade do time n&#227;o aumenta proporcionalmente com o seu aumento de tamanho.</p><h2>O desafio de reten&#231;&#227;o</h2><p>Para trabalhar em engenharia, geralmente s&#227;o necess&#225;rios anos e anos de dedica&#231;&#227;o e treinamento por parte dos profissionais. Agora imagine depois de tanto esfor&#231;o e dedica&#231;&#227;o, tu chegares num emprego e n&#227;o ter a oportunidade de contribuir com o seu completo potencial? N&#227;o h&#225; dinheiro que fa&#231;a algu&#233;m ficar numa posi&#231;&#227;o assim por muito tempo.</p><p>Al&#233;m disso, de um ponto de vista de engenharia, o trabalho bra&#231;al de implementa&#231;&#227;o &#233; chato, repetitivo, e n&#227;o desafiador. As equipes de engenharia v&#227;o inevitavelmente passar mais e mais tempo lidando com d&#233;bito t&#233;cnico porque os prazos impostos pelos times de venda e produto geralmente s&#227;o mais curtos do que o necess&#225;rio pra fazer dilig&#234;ncia t&#233;cnica. Com isso, se torna cada vez mais dif&#237;cil testar, lan&#231;ar nossas funcionalidades, monitorar e no geral, ter certeza que o produto que se est&#225; provendo est&#225; funcionando da forma que deveria.</p><p>Como mercado aquecido, &#233; inevit&#225;vel que as pessoas do time de engenharia que passem muito tempo fazendo trabalhos repetitivos e med&#237;ocres procurem outros desafios em curto espa&#231;o de tempo. &#201; comum ver profissionais que trocam de emprego com uma frequ&#234;ncia muito alta. Al&#233;m da empresa perder o conhecimento acumulado por esses engenheiros, piora a situa&#231;&#227;o de aquecimento do mercado porque se vive uma esp&#233;cie de leil&#227;o sem fim por profissionais que, por n&#227;o achar desafios que os retenham, continuam circulando no mercado. E por continuarem circulando no mercado com grande frequ&#234;ncia, n&#227;o se desenvolvem tanto quanto poderiam em senioridade.</p><h2>Big tech brasileira?</h2><p>Est&#225; na hora das empresas brasileiras, muitas que almejam ser <em>big techs</em>, come&#231;arem a pensar grande no que diz respeito a engenharia, come&#231;ando por tratar os times de engenharia como eles s&#227;o, de fato, tratados em <em>big techs</em>: como o c&#233;rebro da empresa.</p><p>A inova&#231;&#227;o nas empresas de tecnologia do Brasil n&#227;o pode acontecer s&#243; a partir de demandas de clientes e id&#233;ias do/s fundador/es. A demanda de cliente &#233; o futuro previs&#237;vel. O futuro inesperado &#233; onde a m&#225;gica acontece, e pra isso, precisamos de muito mais c&#233;rebros engajados no desafio.</p><p>Est&#225; na hora de fechar a f&#225;brica de software e abrir as portas para as possibilidades que se abrem com essa mudan&#231;a. Da&#237; sim come&#231;aremos a criar <em>big techs</em> brasileiras.</p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Engenharia em Lockdown]]></title><description><![CDATA[N&#227;o lan&#231;amos nenhuma nova funcionalidade para produtos em Q1/2021, mas fizemos muito!]]></description><link>https://www.goodtogreat.io/p/engenharia-em-lockdown</link><guid isPermaLink="false">https://www.goodtogreat.io/p/engenharia-em-lockdown</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Weiden]]></dc:creator><pubDate>Mon, 12 Jul 2021 09:30:49 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!WucC!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcc364342-6ca8-48c7-be49-a599ef7410e7_1280x1280.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Em dezembro do ano passado, durante uma discuss&#227;o sobre o plano de produtos para 2021 na unico, a quantidade de trabalho que t&#237;nhamos &#224; frente era intermin&#225;vel. Ao mesmo tempo que est&#225;vamos motivados com o futuro promissor, havia tamb&#233;m uma preocupa&#231;&#227;o sobre a quantidade de objetivos da empresa que caririam, obviamente, sobre a equipe de engenharia para serem cumpridos.</p><p>Olhando para o time e para o planejamento, estava claro para mim que t&#237;nhamos um monte de d&#233;bito t&#233;cnico e n&#227;o t&#237;nhamos muito tempo para lidar com estes problemas. Os engenheiros estavam sentindo o peso do trabalho repetitivo e pouco inspirador que acompanha o ac&#250;mulo de d&#233;bito t&#233;cnico e que consumiam uma quantidade consider&#225;vel de tempo. Comecei a pensar em como reverter essa tend&#234;ncia.</p><p>N&#243;s tamb&#233;m precis&#225;vamos organizar como a equipe de engenheiros interagia com outras &#225;reas para garantir que qualquer altera&#231;&#227;o do lado t&#233;cnico fosse sustent&#225;vel. Nossa maneira de escalar os problemas do dia a dia entre as equipes era bem org&#226;nica, e isso tamb&#233;m fez com o que o peso das opera&#231;&#245;es reca&#237;sse, muitas vezes, sobre os ombros das mesmas pessoas. A pergunta de um milh&#227;o de d&#243;lares era: como fazer com que qualidade da engenharia se tornasse a prioridade de toda a empresa em um curto espa&#231;o de tempo?</p><p>Eu tive a ideia, mas no come&#231;o eu achei que seria dif&#237;cil de vender, mas eu propus para o time de gest&#227;o mesmo assim. Minha tese era simples: se a gente focar o primeiro trimestre de 2021 em qualidade da engenharia, eliminando os d&#233;bitos t&#233;cnicos e estruturando melhor o fluxo de trabalho da equipe, nos trimestres seguintes poder&#237;amos entregar o roadmap do produto do ano inteiro.</p><p>Foi ent&#227;o que eu propus um lockdown em engenharia: nenhuma nova funcionalidade de produto durante um trimestre inteiro. Se o roadmap de produtos ser&#225; entregue nos trimestres seguintes eu vou atualizar voc&#234;s mais pra frente. Mas o primeiro trimestre certamente motivou o in&#237;cio da mudan&#231;a que busc&#225;vamos fazer na equipe e na empresa. Somos uma empresa de engenharia, com foco no sucesso sustent&#225;vel de longo prazo.</p><p>Para come&#231;ar, fizemos um planejamento muito simples, perguntando aos times quais problemas eles achavam que deviam ser resolvidos. Pedi que fossem ambiciosos em seu planejamento. A lista n&#227;o surpreendeu ningu&#233;m e tinha um pouco de tudo: desde melhorias de monitoramento, at&#233; melhores testes e re-arquitetura de alguns componentes de produtos. Abra&#231;amos tudo e deixamos a equipe fazer sua m&#225;gica.</p><p>A autonomia fazia parte do design. Acostumados a viver sob a press&#227;o do dia a dia das opera&#231;&#245;es, senti que a equipe estava um pouco perdida no in&#237;cio. Precis&#225;vamos que toda a empresa comprasse essa ideia para que funcionasse e, nesse sentido, toda a equipe da unico merece reconhecimento porque com raras exce&#231;&#245;es todos respeitaram o foco e o espa&#231;o da equipe de engenharia, e como gosto de dizer, deixaram a equipe trabalhar.</p><p>Enquanto a equipe trabalhava nos desafios t&#233;cnicos, a gest&#227;o estava focada em trazer novas pessoas para a equipe, dando ajuda &#224;s equipes que precisavam, incentivando a movimenta&#231;&#227;o interna entre as equipes e cuidando da integra&#231;&#227;o de todos. S&#243; no primeiro trimestre contratamos 17 pessoas para a equipe de engenharia e 100 pessoas no total na unico. Al&#233;m disso, planejamos e validamos uma grande mudan&#231;a organizacional seguindo o modelo de tribos e squads com times aut&#244;nomos e pap&#233;is muito bem definidos.</p><p>Tr&#234;s meses depois, sentimos que o tempo passou muito r&#225;pido. Mas aprendemos muito - e muito al&#233;m da engenharia. Na pesquisa p&#243;s-Lockdown, mais de 83% da equipe classificou a oportunidade de aprendizado como grande ou muito grande no per&#237;odo. Trabalhamos mais pr&#243;ximos um do outro e colaboramos como nunca antes hav&#237;amos colaborado. Praticamos o desapego de solu&#231;&#245;es que j&#225; n&#227;o nos servem mais. Para incentivar a troca de informa&#231;&#245;es e qualidade das solu&#231;&#245;es, semanalmente t&#237;nhamos 2 reuni&#245;es de revis&#245;es de engenharia e design, onde as pessoas podiam vir pedir feedback sobre o que estavam fazendo. Iniciamos projetos que envolveram toda a equipe, aproximando as pessoas e possibilitando o aprendizado e a troca.</p><p>Algumas equipes reduziram os chamados de clientes pela metade. Outros aprenderam sobre inefici&#234;ncias em sua configura&#231;&#227;o de back-end. Priorizamos seguran&#231;a, monitoramento padronizado. Melhoramos a documenta&#231;&#227;o de nossos produtos internamente e externamente e investimos em melhorias de infraestrutura e cobertura de testes. Plantamos muitas sementes que certamente colheremos mais tarde.</p><p>Foi um trabalho enorme de faxina, e sa&#237;mos do Lockdown energizados com os desafios para o resto do ano e tamb&#233;m, com a certeza de que ainda temos muito a fazer para minimizar o inevit&#225;vel d&#233;bito t&#233;cnico que t&#227;o facilmente se acumula ao longo do tempo.</p><p>Como empresa, sa&#237;mos deste per&#237;odo com o compromisso de continuar dedicando tempo aos itens de excel&#234;ncia da engenharia, e com o compromisso de respeitar os investimentos necess&#225;rios que eles requerem. Para isso, nosso planejamento de produto e engenharia agora &#233; feito explicitamente mencionando o quanto &#233; investido em novos recursos versus itens de engenharia. No final isto &#233; uma maratona e n&#227;o uma sprint e precisamos garantir que nossos produtos sejam constru&#237;dos para o futuro.</p><p>Um passo de cada vez, juntos estamos construindo uma equipe de engenharia unida, forte e entregamos qualidade de engenharia, atrav&#233;s de produtos simples, confi&#225;veis e escal&#225;veis para nossos clientes.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Uma pílula sobre job share]]></title><description><![CDATA[Modelo de contrata&#231;&#227;o permite compartilhamento de heacount]]></description><link>https://www.goodtogreat.io/p/uma-pilula-sobre-job-share</link><guid isPermaLink="false">https://www.goodtogreat.io/p/uma-pilula-sobre-job-share</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Weiden]]></dc:creator><pubDate>Fri, 09 Jul 2021 18:03:03 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!WucC!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcc364342-6ca8-48c7-be49-a599ef7410e7_1280x1280.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Semana passada lan&#231;amos um programa que eu criei na unico, chamado M&#227;es na Engenharia. O programa &#233; uma a&#231;&#227;o afirmativa focada em m&#227;es que trabalham na &#225;rea de engenharia, oferecendo a elas a possibilidade de trabalhar 60% da carga hor&#225;ria normal (com sal&#225;rio proporcional, mais benef&#237;cios).</p><p>Esse programa foi baseado no conceito de job share, que &#233; muito conhecido nos Estados Unidos, por&#233;m talvez nem tanto no Brasil.</p><p>Job share ou trabalho compartilhado funciona a partir da premissa de que duas pessoas v&#227;o compartilhar um cargo, cada uma delas trabalhando em tempo parcial.</p><p>No caso do M&#227;es na Engenharia, usamos 60% como carga hor&#225;ria para o programa, e a id&#233;ia &#233; contratar duas pessoas para cobrir uma posi&#231;&#227;o (tamb&#233;m conhecida como headcount). Com isso, de fato temos 120% da vaga preenchida, porque consideramos o custo de overlap como custo que estamos felizes em cobrir.</p><p>Como eu falei o sal&#225;rio &#233; proporcional, por&#233;m os benef&#237;cios obviamente nem todos s&#227;o. Plano de sa&#250;de &#233; integral, e alguns outros que n&#227;o faz sentido reduzir. Aqui &#233; onde mora o espa&#231;o para a criatividade, por&#233;m precisamos ter cuidado para n&#227;o criar benef&#237;cios exclusivos para o programa, porque pode criar um problema de senso de justi&#231;a (e lit&#237;gio). Se a tua empresa tem benef&#237;cios atraentes para m&#227;es e pais, esse problema &#233; resolvido por design.</p><p>O mais dif&#237;cil n&#227;o &#233; contratar nesse modelo, e sim, adaptar todos os processos. Por isso, eu decidi fazer um experimento com poucas pessoas e assim conseguirmos avaliar como essa din&#226;mica vai se dar no dia a dia. </p><p>Eu espero que as duas pessoas compartilhando um cargo tenham horas de overlap para passar contexto, e assim evitar o &#8220;60% de sal&#225;rio mas 100% de trabalho&#8221;, que eu admito que &#233; um risco. Tamb&#233;m para mitigar esse risco n&#243;s abrimos vagas, inicialmente, somente para profissionais com experi&#234;ncia.</p><p>O sucesso no n&#250;mero de aplica&#231;&#245;es fala por si s&#243;. Em menos de 1 semana mais de 100 mulheres (e alguns homens) aplicaram para o programa. Eu n&#227;o poderia estar mais feliz. Possibilitar as mulheres uma jornada de trabalho que caiba na sua vida pessoal &#233; muito importante pra mim. </p><p>Alguns CTOs de outras empresas j&#225; me contataram para falar que eles tamb&#233;m v&#227;o criar programas semelhantes. Eu estou empolgada. Parece que &#233; o come&#231;o de um movimento que vai ser muito ben&#233;fico n&#227;o s&#243; para as m&#227;es participantes, mas tamb&#233;m o mercado de tecnologia do Brasil que perde com a perda desses talentos.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Gestão em resumo]]></title><description><![CDATA[Para aqueles que est&#227;o pensando em se aventurar no mundo da gest&#227;o]]></description><link>https://www.goodtogreat.io/p/gestao-em-resumo</link><guid isPermaLink="false">https://www.goodtogreat.io/p/gestao-em-resumo</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Weiden]]></dc:creator><pubDate>Thu, 01 Jul 2021 18:18:34 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!WucC!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcc364342-6ca8-48c7-be49-a599ef7410e7_1280x1280.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Como mencionei <a href="https://nandaweiden.substack.com/p/i-dont-want-to-be-like-google">no artigo anterior (somente em ingl&#234;s)</a>, eu me tornei gestora para criar um espa&#231;o seguro que permita &#224;s pessoas fazerem o seu melhor. Me tornar gestora foi a transi&#231;&#227;o de carreira mais dif&#237;cil que eu fiz, basicamente porque eu n&#227;o tinha muitos bons modelos ao meu redor e n&#227;o tinha muita id&#233;ia do que ser gestor realmente significava. O papel do gestor &#233; de certa forma abstrato e muitos engenheiros me pedem conselhos sobre uma poss&#237;vel transi&#231;&#227;o para gest&#227;o.</p><p>Se voc&#234; ama programar e colocar a m&#227;o na massa, provavelmente gest&#227;o n&#227;o &#233; para voc&#234;. Eu digo isso porque n&#243;s humanos somos inquietos por novos desafios, e quanto mais voc&#234; avan&#231;a na carreira de gest&#227;o e assume desafios maiores como gestor, menos trabalho t&#233;cnico voc&#234; far&#225;. Algumas pessoas me dizem que querem ser gestores, mas querem permanecer t&#233;cnicas. Eu digo a elas que isso &#233; muito provavelmente uma contradi&#231;&#227;o e um sinal de que a gest&#227;o pode n&#227;o ser para elas.</p><p>Gest&#227;o n&#227;o &#233; um lugar de autoridade. Na verdade, a autoridade &#233; a &#250;ltima ferramenta na caixa de ferramentas de um gestor, e s&#243; deve ser usada quando todas as outras ferramentas falharem. E se voc&#234; a usar, tenho quase certeza de que voc&#234; falhou em algum lugar ao longo do caminho para acabar em uma situa&#231;&#227;o deste tipo.</p><p>Enquanto ser um engenheiro significa que seu objetivo &#233; t&#233;cnico e as pessoas s&#227;o o contexto onde isso ocorre, a gest&#227;o &#233; exatamente o oposto: as pessoas s&#227;o o seu objetivo e t&#233;cnico &#233; o contexto onde isso ocorre.</p><p>A melhor maneira de entender o trabalho de um gestor (pelo menos no in&#237;cio de sua carreira) &#233; dividi-lo em tr&#234;s dimens&#245;es: pessoas, projetos e equipe.</p><p>Voc&#234; ver&#225; que &#233; bastante trabalho e, se achar que ainda tem tempo para fazer o trabalho de um colaborador individual depois de fazer tudo isso, provavelmente est&#225; trabalhando demais. Se voc&#234; n&#227;o est&#225; fazendo tudo isso (e muito mais), provavelmente n&#227;o est&#225; atendendo aos meus elevados padr&#245;es de gest&#227;o :-)</p><h2><strong>Pessoas</strong></h2><p>Resumo (sem ordem espec&#237;fica, no futuro escreverei sobre cada um deles):</p><ul><li><p>Contrata&#231;&#227;o</p></li><li><p>Desenvolvimento de pessoas</p></li><li><p>Apoi&#225;-los de forma humanizada</p></li><li><p>Gest&#227;o de desempenho</p></li><li><p>Demitir pessoas e/ou ajud&#225;-las a encontrar seu caminho</p></li></ul><p>Tudo relacionado a pessoas entram nesta categoria: da contrata&#231;&#227;o &#224; demiss&#227;o e tudo entre estes dois, ou seja, a jornada de cada pessoa na equipe que voc&#234; gerencia.</p><p>Voc&#234; &#233; respons&#225;vel por atrair pessoas para sua equipe. N&#227;o importa o que algumas pessoas possam lhe dizer, &#233; seu trabalho ter boas pessoas se juntando &#224; sua equipe e, ent&#227;o, mant&#234;-las.</p><p>Uma vez que voc&#234; contrata pessoas, voc&#234; precisa garantir que elas estejam trabalhando em projetos adequados para seu n&#237;vel de carreira, garantindo que voc&#234; continue a desafi&#225;-las para que continuem crescendo (se elas quiserem, n&#227;o seja uma pessoa chata e insistente), independentemente do n&#237;vel em que est&#227;o.</p><p>Voc&#234; tamb&#233;m &#233; respons&#225;vel por cuidar dessa pessoa e garantir que ela aproveite todos os recursos dispon&#237;veis para ela como funcion&#225;rio quando estiver passando por dificuldades: benef&#237;cios como seguros, licen&#231;as e tudo mais.</p><p>Al&#233;m disso, enquanto algu&#233;m est&#225; trabalhando com voc&#234;, voc&#234; tamb&#233;m &#233; respons&#225;vel pela sua produtividade, ajudando-os a recuperar o desempenho quando est&#227;o com problemas, adquirir novas habilidades e orient&#225;-los para assumir mais responsabilidades e, finalmente, se eles n&#227;o se encaixam mais no contexto da equipe, tamb&#233;m &#233; seu trabalho lidar com isso. Se for o caso, isso inclui demitir.</p><h2><strong>Projetos</strong></h2><p>Resumo:</p><ul><li><p>Entender o papel da sua equipe de forma ampla</p></li><li><p>Ouvir as necessidades da sua equipe</p></li><li><p>O delicado ato de equil&#237;brio no estabelecimento das metas</p></li><li><p>Garantir que tudo est&#225; atribu&#237;do em um bal&#233; m&#225;gico de prefer&#234;ncias, capacidades e prioridades</p></li><li><p>Dar o cr&#233;dito e levar a culpa</p></li></ul><p>O gestor n&#227;o &#233; apenas respons&#225;vel pelas pessoas de sua equipe, existe tamb&#233;m a responsabilidade sobre os objetivos do time. O gestor desempenha o papel de garantir que isto aconte&#231;a, come&#231;ando &#233; claro, por garantir que sua equipe tenha objetivos claros. O gestor n&#227;o necessariamente precisa fazer este trabalho, mas garantir que algu&#233;m ir&#225; fazer. Em algumas empresas e dependendo do projeto ou gestor, haver&#225; tamb&#233;m um Gerente de Projetos (PM) envolvido, e esta pessoa pode ajudar no gerenciamento de projetos.</p><p>Presumindo que n&#227;o existe um PM envolvido, o gestor precisa construir uma imagem exata das necessidades do neg&#243;cio e garantir que sua equipe esteja ciente dela. Voc&#234; precisa ent&#227;o ouvir as pessoas da sua equipe e garantir que todas as coisas importantes sejam feitas para satisfazer os dois lados: o neg&#243;cio e as pessoas. Ouvir o neg&#243;cio &#233; importante, pois paga as contas, e ouvir as pessoas &#233; tamb&#233;m importante pois se voc&#234; n&#227;o ouve, voc&#234; ser&#225; um p&#233;ssimo gestor por n&#227;o envolver a equipe no processo, mas tamb&#233;m por n&#227;o levar coisas que s&#227;o menos populares em considera&#231;&#227;o. Pense, por exemplo, em d&#233;bito t&#233;cnico: "Foque na qualidade da engenharia e na d&#237;vida t&#233;cnica, mesmo que isso signifique n&#227;o liberar recursos" frase jamais dita por um Gerente de Produto.&nbsp;</p><p>Uma vez que as metas est&#227;o definidas, &#233; hora de fazer com que os membros da equipe escolham as suas metas com base nos interesses, import&#226;ncia e compet&#234;ncias (os engenheiros seniores provavelmente far&#227;o o trabalho mais complexo, por exemplo). &#201; um equil&#237;brio bastante delicado, e eu costumo brincar que &#233; como um prato cheio de coisas gostosas e uma colher de coco. Todo mundo deve fazer o trabalho impopular, porque caso contr&#225;rio voc&#234; ter&#225; pessoas muito infelizes em sua equipe (a menos, &#233; claro, que gostem do trabalho, mas geralmente existem atividades necess&#225;rias que n&#227;o s&#227;o populares).</p><p>A equipe fica com o cr&#233;dito, o gestor fica com a culpa. Este &#233; o resumo de como a coisa anda. Seu trabalho &#233; dar cr&#233;dito onde &#233; devido e tamb&#233;m assumir os erros cometidos pela sua equipe de uma forma que n&#227;o culpe as pessoas individualmente por cometer erros.</p><h2><strong>Equipe</strong></h2><p>Resumo:</p><ul><li><p>Ambiente agrad&#225;vel</p></li><li><p>Colabora&#231;&#227;o entre os membros da equipe e entre sua equipe e outras equipes</p></li><li><p>Processos e rituais</p></li></ul><p>O trabalho do gestor &#233; garantir que haja um bom ambiente de trabalho dentro da equipe. O gestor &#233; aquele que facilita a cria&#231;&#227;o da "m&#225;gica" que torna as equipes produtivas: oportunidades de aprendizagem, lidar de forma graciosa os conflitos, garantir que todos sejam ouvidos, e fazer sua equipe n&#227;o perder tempo com bobagens.</p><p>Este &#233; o menos objetivo de todos ao meu ponto de vista, mas n&#227;o &#233; o menos importante. Ningu&#233;m gosta de trabalhar em um ambiente t&#243;xico. Colabora&#231;&#227;o &#233; importante, autonomia &#233; importante, competi&#231;&#227;o geralmente destr&#243;i a sensa&#231;&#227;o de bem estar da sua equipe, a menos que seja um exerc&#237;cio para realizar algo espec&#237;fico.</p><p>Se suas reuni&#245;es de equipe s&#227;o chatas, mude-as. Garanta que o tempo que voc&#234; pede da sua equipe seja bem utilizado com um objetivo claro e, uma vez que este objetivo n&#227;o seja mais atendido, ou tenha mudado, &#233; seu trabalho fazer as mudan&#231;as. Isto vai desde a organiza&#231;&#227;o de reuni&#245;es semanais com pautas bem definidas, at&#233; garantir que voc&#234; tenha um roteiro para definir metas sem gastar um m&#234;s inteiro do tempo de todos em discuss&#245;es in&#250;teis. Basicamente, ter todo o contexto para abstrair a complexidade da equipe &#233; seu trabalho.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Liderança fatiada]]></title><description><![CDATA[Como o papel do gestor interage com o do l&#237;der t&#233;cnico]]></description><link>https://www.goodtogreat.io/p/lideranca-fatiada</link><guid isPermaLink="false">https://www.goodtogreat.io/p/lideranca-fatiada</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Weiden]]></dc:creator><pubDate>Tue, 29 Jun 2021 20:08:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!WucC!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcc364342-6ca8-48c7-be49-a599ef7410e7_1280x1280.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ap&#243;s minha postagem sobre <a href="https://nandaweiden.substack.com/p/gestao-em-resumo">gest&#227;o</a>, um dos pedidos que recebi foi para falar sobre como o papel do gestor e do l&#237;der t&#233;cnico (tech lead) se relacionam.</p><p>Gest&#227;o &#233; uma fun&#231;&#227;o, e &#233; respons&#225;vel por garantir que todas as coisas certas estejam acontecendo na equipe em rela&#231;&#227;o &#224;s pessoas, aos projetos e, claro, &#224; din&#226;mica e aos rituais da equipe. Se voc&#234; &#233; gestor e cuida de todas as coisas relacionadas a esses tr&#234;s itens, provavelmente n&#227;o ter&#225; tempo para se envolver profundamente (muito menos colocar a m&#227;o) na execu&#231;&#227;o t&#233;cnica do time. Certo? Hmmm, n&#227;o exatamente.</p><p>Sempre que um gestor interage com sua equipe 1:1 ou em reuni&#245;es, &#233; uma oportunidade de influenciar a dire&#231;&#227;o t&#233;cnica da equipe. Isso acontece fazendo as perguntas certas e tendo conhecimento t&#233;cnico bom o suficiente para saber se o time est&#225; na dire&#231;&#227;o certa O gestor tamb&#233;m &#233; respons&#225;vel &#8203;&#8203;por alinhar a dire&#231;&#227;o do time com a estrat&#233;gia do departamento ou da empresa.</p><p>O gestor traz contexto para a conversa e a teoria aqui &#233; que, se a equipe tiver todos os dados, tomar&#225; as decis&#245;es certas. Se a equipe n&#227;o tiver todos os dados, o problema &#233; do gestor. O oposto tamb&#233;m &#233; verdadeiro: se a empresa n&#227;o entende por que o time est&#225; fazendo o que est&#225; fazendo, &#233; fun&#231;&#227;o do gestor preencher a lacuna e garantir que a empresa tenha o contexto.</p><p>E o l&#237;der t&#233;cnico do time? Em primeiro lugar, acredito que todos s&#227;o ou deveriam ser l&#237;deres dentro de seu n&#237;vel de compet&#234;ncia. Ser um l&#237;der t&#233;cnico n&#227;o &#233; um trabalho, mas &#233; uma fun&#231;&#227;o e &#233; fluido. As pessoas entram e saem dessa fun&#231;&#227;o organicamente. N&#227;o acredito em dar o t&#237;tulo de l&#237;der t&#233;cnico a algu&#233;m, este t&#237;tulo deveria ser conquistado n&#227;o da gest&#227;o, mas dos pares. Se voc&#234; tem um l&#237;der t&#233;cnico no time e essa pessoa tem todas as respostas o tempo todo, provavelmente voc&#234; tem um problema diferente para resolver.</p><p>Se o gestor &#233; quem faz a ponte do contexto&nbsp; entre&nbsp; a empresa e o time, os l&#237;deres t&#233;cnicos da time fazem exatamente o oposto: eles trazem o contexto do campo para o gestor e para a empresa, para que o gestor e a empresa entendam a import&#226;ncia de coisas que n&#227;o s&#227;o &#243;bvias para eles, mas que tamb&#233;m s&#227;o importantes e precisam de aten&#231;&#227;o.</p><p>Eu digo que o l&#237;der t&#233;cnico e o gestor fazem a gest&#227;o da time a quatro m&#227;os, com o l&#237;der de tecnologia prevendo os desafios t&#233;cnicos que surgir&#227;o no caminho e se alinhando com o contexto fornecido pelo gestor para garantir que as solu&#231;&#245;es para tais desafios tamb&#233;m respondam &#224; crescente demanda e estrat&#233;gia da empresa.</p><p>L&#237;deres t&#233;cnicos podem ser aqueles que prop&#245;em mudan&#231;as t&#233;cnicas na arquitetura de software para que estes continuem&nbsp; escalando conforme a necessidade. L&#237;deres t&#233;cnicos prop&#245;em mudan&#231;as revolucion&#225;rias em vez de melhorias incrementais quando fizer sentido. Eu sou uma grande f&#227; de melhorias incrementais,mas &#224;s vezes elas n&#227;o s&#227;o suficientes.</p><p>Os l&#237;deres t&#233;cnicos geralmente s&#227;o pessoas experientes que conseguem reconhecer padr&#245;es e sinalizar quando os processos t&#233;cnicos est&#227;o atrasando o time. Eles det&#234;m a barra de qualidade do time. Se um l&#237;der t&#233;cnico tem uma barra de qualidade baixa, geralmente o time tamb&#233;m ter&#225; (e esse &#233; um problema para o gestor resolver). Manter a barra de qualidade alta significa ajudar os outros a crescer em suas habilidades t&#233;cnicas, tendo conversas t&#233;cnicas com a time, fazendo revis&#245;es de c&#243;digo detalhadas e prestando aten&#231;&#227;o ao que est&#225; acontecendo no dia a dia - incluindo alertando o gestor sobre problemas de desempenho no time para que o gestor possa lidar com esses problemas.&nbsp;</p><p>Os l&#237;deres t&#233;cnicos tamb&#233;m tornam as pessoas ao seu redor tecnicamente melhores. Eles fazem isso entendendo, intencionalmente, os limites do conhecimento de outras pessoas no time e ajudando-as a preencher estas lacunas. Alguns l&#237;deres t&#233;cnicos fazem conversas recorrentes com pessoas do time. &#201; importante que essas conversas sejam intencionais e tenham um valor claro para a pessoa e para o time. Eu sempre sou cautelosa ao pedir tempo das pessoas, pois as tiram do foco do seu trabalho (mesmo que o prop&#243;sito seja apenas "vamos relaxar e comemorar uma conquista"). Nenhuma reuni&#227;o deve ser parecida com uma conversa enquanto tomamos um caf&#233; na cozinha. Isto &#233; um bate-papo.</p><p>Se os gestores ajudam a criar e manter a conversa sobre pessoas, projetos e seus times com outros gestores dentro da empresa, os l&#237;deres t&#233;cnicos em uma empresa tecem a estrutura de tecnologia em coopera&#231;&#227;o com seus pares dentro e fora de seus times, dependendo de seu n&#237;vel de senioridade. Eles criam e mant&#234;m a conversa sobre a tecnologia e, portanto, s&#227;o donos dos resultados t&#233;cnicos.</p><p>Eu vejo o papel dos l&#237;deres t&#233;cnicos e dos gestores como complementares. Um time sem um bom gestor provavelmente ter&#225; dificuldades da mesma forma que um time sem um l&#237;der t&#233;cnico.</p><p>&#192;s vezes, quando n&#227;o h&#225; l&#237;deres t&#233;cnicos em um time, o gestor pode temporariamente preencher a lacuna entre a capacidade de seu time e o que precisa ser feito, enquanto trabalha para contratar outras pessoas experientes, que possam preencher essas lacunas rapidamente.</p><p>Enquanto o gestor &#233; o &#250;nico respons&#225;vel por esclarecer o escopo do time, a dire&#231;&#227;o e a estrat&#233;gia da empresa, os l&#237;deres t&#233;cnicos s&#227;o os que ajudam a esclarecer como chegaremos l&#225;. Eles tamb&#233;m podem identificar oportunidades que influenciam e mudam a dire&#231;&#227;o e a estrat&#233;gia da empresa, dependendo de sua senioridade.</p><p>Nenhum gestor pode obrigar as pessoas a ouvir algu&#233;m que n&#227;o tem compet&#234;ncia t&#233;cnica e subst&#226;ncia, e essas coisas se tornam muito &#243;bvias. Ser um l&#237;der t&#233;cnico n&#227;o &#233; f&#225;cil e n&#227;o existe uma receita &#250;nica de como viver essa fun&#231;&#227;o. Em algumas empresas, essa fun&#231;&#227;o &#233; atribu&#237;da &#224;s pessoas como um cargo. Eu prefiro n&#227;o fazer isso.</p>]]></content:encoded></item></channel></rss>